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Entrevista com Diego Hernandes, um dos mais importantes movimentadores da comunidade Laravel no Brasil.

Essa entrevista faz parte de uma série de entrevistas com alguns dos principais nomes da TI no Brasil.

Você é hoje um dos caras mais lembrados e mais ativos da comunidade Laravel no Brasil, conte como foi o seu primeiro contato com o PHP, com o framework Laravel e com a comunidade brasileira de Laravel

Diego: Sobre ser um dos mais lembrados! Fico feliz e assustado ao mesmo tempo! Faço o que posso para ajudar a comunidade, mas existem muitos outros que fazem tanto quanto ou ainda mais que eu. Fico feliz que várias iniciativas e individuos estejam colaborando cada vez com a vida em comunidade.

Meu primeiro contato com PHP remonta a mais de 10 anos. Mas foi somente em 2011 que eu decidi de fato pela carreira de desenvolvedor e fui conhecer a fundo a linguagem.

Já com Laravel a escolha foi natural, eu não era muito favorável ao rumo que o Zend Framework havia tomado (sim, eu já trabalhei bastante com ZF) e ainda estava me adaptando em uma transição para o Symfony.

Conheci o Laravel (que na época estava na versao 3) no meio dessa transição. Foi amor a primeira vista! Me indentifiquei muito com o estilo e filosofia do framework, porém a cultura e a receptividade da comunidade, selaram a escolha.

Você tem experiência com mais alguma linguagem além do PHP? Se sim, quais linguagens e qual o motivo de ter optado pelo PHP como linguagem principal?

Diego: Conheço os fundamentos de C e C++, principalmente para server programming. Antes de programador, eu fui sysadmin e trabalhei um bom tempo administrando redes.

A paixão pelo open source me expôs a várias tecnologias, tive aventuras com Ruby (on Rails) e várias outras linguagens de programação.

PHP é minha linguagem favorita por motivos bem óbvios. É uma linguagem que nasceu na web, de baixa curva de aprendizado e, o mais importante, é que não existe praticamente nada que não possa ser feito em PHP.

Talvez se eu tivesse um foco de trabalho diferente, teria outra visão. Porém o PHP atende minhas necessidades de forma explêndida.

É extremamente fácil escolher o PHP como linguagem quando se ignora todo o ecossistema eXtreme Go Horse que se vê por ai.

No final de 2014 você obteve o certificado “Zend Certified PHP Engineer”. Você resolveu obter essa certificação por realização pessoal ou acredita que ela seja uma grande aditivo no currículo de um desenvolvedor PHP?

Diego: O objetivo pelo qual eu decidi me certificar foi principalmente a realização pessoal.

Os projetos que eu já estava tocando na época continuaram por um longo tempo, e desde então eu estive muito mais voltado a empreender. Dito isso, não posso falar com propriedade sobre a certificação ser um aditivo ao currículo, pois não participei de nenhum processo seletivo após obter a certificação.

Do meu ponto de vista, eu sempre olharia um candidato que tem a certificação como um bonus. Mas nunca iria decidir a favor de um candidato tendo apenas a certificação como base.

Você foi um dos palestrantes da LaraConfBrasil 2016. Qual foi a sensação de palestrar num evento desse porte?

Diego: Extremamente recompensante, me senti em casa. Eu conheci ao longo dos últimos anos muitas das pessoas que ali participavam (muitas mesmo!).

A sensação mais relevante foi ver que a comunidade Laravel cresceu de forma muito acelerada, e que apesar de eu produzir muito, a comunidade vai continuar a crescer independentemente de mim. A comunidade Laravel tem vida própria, sempre com muito respeito e colaboração entre todos.

Laravel não é apenas sobre o framework. É toda uma abordagem de resolver um problema com simplicidade e elegãncia, é uma frente de pensamento. Frente essa que eu acredito que continuará unida, mesmo que a ferramenta em sí perca espaço para algo novo.

Muitas pessoas começam a utilizar um framework sem ao menos saber o básico da linguagem em que o mesmo foi escrito. Quais conhecimentos você julga necessários para quem está querendo começar com o Laravel, além é claro de conhecer bem o PHP?

Diego: Esse assunto é polêmico, é uma “tecla” que eu sempre “bato” nas comunidades em que participo. É importante não pular etapas. Na vida real, nem sempre temos o prazo suficiente para ir como manda o figurino, porem vou aproveitar o momento pra alertar sobre o tema de problema mais global.

Infelizmente o que vemos hoje, é a falta da prática do raciocínio. Pura e simplesmente. Programar não deveria ser sobre decorar API’s da linguágem X, ou ser especialista na biblioteca Y. Programar é saber solucionar problemas através de código.

Muitas das vezes o programador tem em mãos todas as peças pra solucionar um problema, mas não sabe juntá-las.

A programação ajuda de fato, a abrir a mente e pensar de forma mais clara. Porem o que está em falta nos programadores (de hoje em dia?) é falta de pensamento analítico.

Com um pensamento analítico e dedicação é possível aprender e se tornar um bom profissional em praticamente qualquer área.

É necessário alimentar a mente, dessa forma podemos usar ferramentas, de fato como apenas ferramentas, ao invéz de formarmos uma religião em torno da tecnologia da vez.

Por mais que muitas ferramentas trabalhem em conjunto, algumas delas acabam inevitavelmente se tornando “concorrentes”. Como você vê o futuro do Zend Framework no mercado nacional com essa rápida popularização do Laravel?

Diego: Prefiro pensar nos diferentes frameworks modernos como escolhas disponíveis. Devemos olhar para frameworks de forma analítica e tirar um pouco a paixão de lado.

Zend Framework tem uma grande fatia do mercado nacional, existem excelentes nomes nacionais levando o desenvolvimento tanto com Zend Framework quando com Symfony a níveis de qualidade excelentes.

A religiosidade sobre frameworks, no meu ponto de vista só é válida enquanto no escopo do humor.

O que define primariamente as diferenças entre frameworks é abordagem/estilo de resolução de problemas, que fazem as experiências de cada programador diferentes e únicas.

Estamos numa fase transitória no PHP. A interoperabilidade que antes era uma utopia está se tornando realidade no mundo PHP. Dito isso, acredito que estamos no inicio de uma era onde veremos frameworks muito mais como abordagens do que como implementações em si.

O Laravel tem um dos ORMs mais simples e fáceis de usar do mercado, o que é claro, não o torna menos poderoso. Você acha que com a popularização dos ORMs os novos programadores estão conhecendo menos o SQL e ficando cada vez mais dependentes dos frameworks?

Diego: Antes de completar a resposta, devo avisar que tenho um ponto de vista um pouco radical em relação a SQL e bancos de dados, quem me acompanha deve se lembrar de algumas tretas recentes envolvendo o assunto.

No passado recente, a maioria dos softwares não precisavam ou almejavam ser distribuidos, e isso nos levou a toda uma corrente de pensamento, do papel do banco de dados no desenvolvimento de software.

Essa corrente de pensamento ainda é muito forte e raramente questionada, é comum ver sistemas onde boa parte das regras de negócio são executadas diretamente pelo SGDB e a aplicação em sí é um mero frontend para o banco. Existem grandes ERP’s no Brasil que abordam esse modelo.

Nos dias atuais, com aplicações de milhares a milhões de usuários, o papel do banco de dados está sendo repensado, mas existe muita resistência em questionar velhos paradigmas que estiveram presentes no desenvolvimento nos últimos 30 anos ou mais.

Todo o movimento NoSQL está ai para provar que o papel do banco de dados no desenvolvimento moderno está, sendo redefinido, ainda que em passos de formiga.

Eu tenho uma visão de bancos de dados puramente como data stores, e nas minhas aplicações, raramente se vê alguma consulta com mais de 2 joins.

O conhecimento em SQL é de suma importância, mas na maioria das vezes, queries muito complexas que dependam de um conhecimento avançado em SQL, sinalizam erros grosseiros na normalização / planejamento dos dados.

Fale um pouco sobre o projeto Codecasts. O que o motivou? Como ele tem sido positivo para a comunidade Laravel e quais os planos para futuro?

Diego: Acredito que a programação é muito além de um hobby e profissão, mas sim algo que já transformou e ainda irá transformar a vida de muitas pessoas.

O CODECASTS surgiu dessa necessidade que vimos no mercado brasileiro, de material de qualidade, e que não tivesse um preço impeditivo pra ninguém. Muitas das pessoas que se juntaram ao CODECASTS são estudantes, pessoas que ainda não podem investir muito em suas carreiras. Foi basicamente os que nos motivou a começar o projeto.

Sobe ele ser positivo pra comunidade, recebemos muitos feedbacks positivos de nosso trabalho, porém nosso objetivo maior é elevar o nível atual do mercado, e ser um parceiro e acelerador da aquisição de conhecimento dos alunos.

Esperamos que a médio e longo prazo possamos realmente fazer muita diferença na carreira das pessoas que nos acompanham.

Temos muitas novidades planejadas pra esse ano ainda. Colhemos muitos feedbacks em como melhorar toda a experiência dos CODECASTERS e muita coisa boa está por vir.

Importante: Essa entrevista foi gentilmente cedida por Diego Hernandes para veiculação na página “Bugginho Developer”. Caso queira replica-la, não esqueça de pedir autorização ao mesmo para tal.

https://codecasts.com.br
https://github.com/hernandev

Você pode conhecer um pouco mais e acompanhar o trabalho de Diego Hernandes nos links abaixo:

Bugginho Developer

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