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Entrevista com Felipe Cruz, Mestre em computação, autor do livro “Python – Escreva seus primeiros programas”

Essa entrevista faz parte de uma série de entrevistas com alguns dos principais nomes da TI no Brasil.

Você é Mestre em Computação e tem mais de uma década de experiência com desenvolvimento de software. Como foi o seu primeiro contato com programação? Você enfrentou alguma dificuldade? já pensou em desistir?

Felipe: Comecei a programar por volta dos 13/14 anos. Criava scripts para mIRC e logo depois aprendi um pouco de Perl. Não fazia nada sério, mas administrei alguns sites e tive uns sites próprios, algumas coisas usando Perl mesmo. Dei um tempo da programação e voltei a programar quando entrei na faculdade. Eu até já sabia um pouco de C mas realmente aprendi na faculdade. Já no 4o período tive contato com Java. Consegui o primeiro estágio por causa de Java e nunca mais parei de trabalhar.

Todos nós vamos enfrentar dificuldades diferentes. No meu caso as maiores dificuldades sempre foram relacionadas a desgastes e stress. Nunca me realizei sendo um funcionário de uma empresa onde eu não podia participar da tomada de decisão e além disso discordava de muitas coisas. Faz parte. Nunca pensei em largar, de fato, a carreira como desenvolvedor.

Você acha que a Faculdade é indispensável para a formação de um bom profissional? Por quê?

Felipe: Intuo que não sejam necessárias. Mas apesar disso acho que quem quiser entrar na área deve valorizar o que é ensinado nas faculdades. Acho que o ponto todo é que existe praticamente tudo que se ensina numa faculdade na internet. Cursos completos. Existem fóruns e comunidades onde você poderá tirar dúvidas. Ou seja: a questão é querer estudar e procurar as coisas mais importantes. A faculdade tem um aspecto social que é legal mas não é algo que influencie tanto, na minha visão. Faculdade é bom sim mas não é indispensável. Por outro lado não adianta ser auto didata e estudar tudo pela metade.

Você é Pythonista há mais de 6 anos. Diversas pesquisas mostram que o mercado de trabalho para Python vem crescendo bastante no exterior. Como você vê o crescimento do Python entre as empresas aqui no Brasil?

Felipe: Não tenho números concretos mas a cada dia que passa conheço cada vez mais empresas que usam Python. A indústria de TI cresce mesmo em tempos ruins. Python é uma linguagem em alta no Brasil. Acho que minha visão tem o viés de ter contato com muita gente do universo Python e acredito que existe maior procura de várias linguagens e não só Python.

Além do Python, com quais outras ferramentas e linguagens você trabalha?

Felipe: As ferramentas sempre variam. Atualmente trabalho muito com Python e Javascript. Na minha empresa usamos Spark, Node e várias outras coisas, muitas delas em Python mesmo. Uso o Vim como editor. Sou da filosofia do “menos é mais”.

Você é autor do livro “Python – Escreva seus primeiros programas”. Como foi a experiência de escrever um livro? Pretende lançar outros?

Felipe: Foi cansativo mas valeu a pena. Como é um livro conceitual, ou seja, tem uma temática e a teoria é exemplificada em códigos que compões uma mini aplicação real, foi um grande desafio criar coisas extremamente simples mas que ajudavam a compor o que está sendo construído e ao mesmo tempo casavam com o tópico sendo explicado. É muito mais fácil criar um “snippet” meramente ilustrativo. O difícil é criar vários snippets que compõe algo que faz sentido e motiva o leitor a concluir. Pretendo lançar outros mas não num universo de pelo menos uns 2/3 anos.

Em um dos seus Hangouts você revela ter iniciado uma Startup com um sócio e depois ter vendido sua participação na mesma. Como foi essa experiência e quais conselhos você dá aos desenvolvedores que pensam em iniciar uma Startup?

Felipe: Minha primeira startup, digamos assim, nasceu por acaso: era um freela que eu fazia direto com um dos sócios de uma empresa que estava crescendo muito. Mas esse freela se tornou muito importante dentro da empresa e no meio desse processo entrou uma outra empresa, tipo uma aceleradora, na jogada. Ou seja: foi meio que por acaso que a coisa aconteceu. Houve uma conversa inicial, muitas idéias, nenhuma definição mas a coisa deu certo. O maior erro nessa época foi de nunca ter sentado pra esclarecer precisamente o papel de cada parte que se envolveu, qual era o meu share e o valor da empresa. No final das contas eu fiquei satisfeito com o resultado final(de ter concluído a venda) mas não com o processo. Startup muitas vezes envolve sociedade, contratos, participações e responsabilidades que devem ser muito bem definidas. Aqui moram vários perigos que dependem de um amadurecimento que nem todos podem ter quando uma situação assim acontecer.

Pra quem quer começar do 0, como eu comecei recentemente, a minha maior dica é: seja persistente e transparente. Persistência significa ter uma falha e tentar denovo. Ser transparente significa ser não fingir ser algo que não é ou que sabe o que não sabe ou que. Eu acredito que consegui o investimento Anjo por ter transparecido minhas intenções e seriedade em trabalhar nesse projeto. E acho que se cercar de pessoas que estão na mesma vibração é importante. Uma das coisas que vi é que existem investidores que investem em modelos de negócio e outros que investem porque acreditam que a pessoa que está buscando pode entregar o que está vendendo, ou seja, estão mais apostando no combo idéia+time do que apenas em um plano de negócios.

Diversas empresas como por exemplo a Globo.com, Serpro, Jus Brasil, Disney, Google e Facebook utilizam o Python, mas mesmo assim pouquíssimas faculdade tocam no assunto “Python” em sua grade curricular. Por que as faculdade ainda não aderiram ao Python?

Felipe: Acho que no mundo acadêmico as mudanças são um pouco mais lentas. Mas pelo menos não faltam cursos pra quem quer aprender Python.

De um lado as empresas dizem que está chovendo vagas de emprego para desenvolvedores de software, do outro a comunidade afirma que as empresas estão exigindo cada vez mais e pagando cada vez menos. Qual a sua opinião sobre essa realidade?

Felipe: O mercado é muito grande e dentro dele existem vários segmentos com características diferentes. As empresas novas não tem como pagar muito mas podem oferecer flexibilidade por exemplo. Existem as empresas que não tem preocupação com qualidade e não vão pagar bem nunca. Existem empresas onde é difícil a conta de “quanto vale” Vs “quanto as pessoas querem” e geralmente aqui prevalece o quanto a empresa quer gastar. Fora essa análise superficial é complicado falar mais porque tudo é especulação. A última proposta concreta que recebi era financeiramente ruim. Não era péssima mas era ruim, na minha visão, e isso é o último dado concreto que posso passar sem achismos. Por outro lado, já vi vagas que anunciavam pagar valores dentro do esperado e por isso que é tão difícil opinar.

O que posso dizer é que individualmente cada um pode se qualificar mais, praticar mais, criar um portfólio ou formas de conseguir chegar nas empresas e negociar melhor a remuneração. Ir em eventos, apresentar palestras, mostrar que consegue estudar um assunto e apresentar pra outras pessoas pode ajudar bastante.

Pra quem é desenvolvedor, a outra opção é empreender. Empreender não significa criar uma startup e buscar investimento ou algo assim. Significa criar algo próprio ou em sociedade que te permita viver sem um emprego tradicional. Mas é sempre bom lembrar: empreender envolve vários riscos, inclusive financeiros. Não se pode entrar em desespero e tudo deve ser feito de forma muito pragmática.

Importante: Essa entrevista foi gentilmente cedida por Felipe Cruz para veiculação na página “Bugginho Developer”. Caso queira replica-la, não esqueça de pedir autorização ao mesmo para tal.
Você pode conhecer um pouco mais e acompanhar o trabalho de Felipe Cruz nos links abaixo:

https://github.com/felipecruz
https://twitter.com/felipejcruz
https://medium.com/@felipejcruz/

Espero que tenham gostado tanto quanto eu e até a próxima, amiguinhos!!! 😉

Bugginho Developer

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